quarta-feira, agosto 04, 2010

Da fuga…, via Ponferrada.

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Naquela madrugada, o roncar das ferrovias, os tumultos da continuada fuga. Ficava à retaguarda, o estrondar das bombas. As correntes de água, o cascalho de ferro, o desabar das galerias. Os mortos, o voar do meu corpo, na boca da mina. Minério, o ferro, os vagões, a gelemonite. Os berros de sangue incandescente… E as pulgas, pelas tarimbas de quem nas mina trabalhava, pululavam de alegria, carne fresca, ainda. Mais a fome incrementada. A água, quente de nada, aquecia, a fruta roubada. O lenço roxo, pelo pescoço, a vaidade, a frescura dos hipies, a promessa à rapariga dada. O meu caceteiro, o pai, o velhote, de nada. A mãe atraiçoada, o filho, um mineiro em Ponferrada. "Que cortau o el pelo, que não levas nada".
Por Chaves, a fuga, pelos campos e pelos canais da levada. A Pide, sempre presente, a aldrabice, a chicotada. A noite pela calada. A fronteira, a alvorada. Tinham sido os comboios ronceiros, Tua acima, os soldados, a carne, alguma, em debandada. Depois, os mortos da espingarda, que tombaram na noite passada.
Nas minas, as cartas da estalada, a paixão que nunca acontecera, terminara. São Miguel de Las Duenãs, os amigos da bota de vinho. Os castelhanos, os berros, a pancada. E os galegos, simplesmente, a amizade, os bocadilhos. As festas na aldeia. Os foguetes à solta, as doidas, as raparigas, a alegria, os presuntos, mais bocadilhos, a fome colmatada. O dormir, em tarimbas de portugueses, de novo as pulgas; a carta esperada. A alegria da carta, a tristeza da alvorada. Notícia, debaldada. A tristeza da carta. A rapariga do bairro. Mas nunca a amara. Só a ciciara. O corte de todas as esperanças.
O entulho do sentimento esfrangalhado, os suores, o vomitado. As ruelas da povoação, os saltos, as correrias. O cair no desespero, a febre que se fora. A cerveja que bebera. E logo, pela madrugada, o ferro, os vagões, de novo, as explosões, o vinho na bota, as ameaças de pancada, também a amizade, o refugio, do desespero.
Passados dias, os ferros carrilhos, , o outro sonho, o sonho, rumar a França. O destino. E o sol, por enquanto, ali no cais, esse tostava-nos o lombo, carne das explosões do aço, dos tanques e minas, de amigos os esfarelados. Também do amor da minha mãe, das coças, por mim, nelas caídas. Esse sol que empurrava a minha continuada fuga, a saída da placenta.
Terra escura, que me soltara cedo ao vento. E depois do cais, de Ponferrada, o comboio já entrara no emaranhado de túneis. Hendaya, o rumo. Para trás a anosa no cais; lenço preto a agitar as palavras da luta contra Franco, a Guernica, a destruição das populações, o estado de Portugal, a ocupação dos outros territórios, a miséria, a luta clandestina, a debandada.
Já no comboio, no seu corredor interno, pela madrugada, eu e o comparsa, sentíamos as pezadas. Os novos emigrantes espanhóis acossados, dobrados, entalados, colarinhos à vista, as boinas, as cestas, os açafates, algumas galinhas, a chama ardente, ali naquele compartimento, a noviça, as mamas oscilavam-se com o rodar do comboio. A velha mestra pela cobiça. O olhar, o convite, o colo, as tetas pendulares. E o trem inflexível, a rodar, e as ditas a abanar, a língua, sorvendo os líquidos, e eu a chupar. Os boinas a mirar, o meu amigo a drenar, a languidez a elaborar.
As formalidades. O destino. As autoridades francesas, a liberdade. Por terras de França, o trabalho a encontrar. Os outros amigos. A comidinha, por dar. A fome. Algum desespero. Os amigos de “Peniche”. A loucura na casa. A dormida com cinco na cama, a fome a avançar. A paranóia, o lugar, diziam, assombrado, e os meses a rodar. E de noite a cama a levitar. Eu a alertar. E dormiam, os outros, tinham que ir trabalhar. E de dia, a procura, na casa entre choupos. As chaves do sótão. A descoberta, a mesa abandonada com restos de comida e eu a chafurdar. Os brinquedos de crianças, as teias aranha, e eu a roubar roupa contra o frio. E de novo a cama a levitar, os sons da loiça a tombar. E eles, estás maluco, deixa-nos dormir e trabalhar, é só imaginação, vai-te embora. E a fome continuava. E os dias sempre iguais. E a partida, de novo às origens, ao regime.
E o comboio de novo, virado ao contrário. Irun à vista. Mas em Endaya, na linha do trem, novamente as espingardas, os tiros pelas costas, silvando, emitindo-se berros contra o retorno. O virar de costas, os de novo tiros ao calha.
E Irun penetrado, mais tiros. A entrada em Espanha. As boleias. De novo, São Miguel de Las Duenãs: repescar o lenço rouxo, o tecido de todas as frescuras, umas cartas por ali me esperavam.
Ela também não me amava, porém, dizia. Esfrego o grelo à tua pala.
Zamora em frente. Alcanices pela pista de Quintanilha. E os guardas fronteiriços, o mergulho no rio Maçãs. E, então a lembrança dos outros, dos tiros que mataram em Vila Verde da Raia, Feces de Abago à vista, não para os que não foram fuzilados.
Da fuga, o retorno, a mãe que muito chorara, o pai que muito me espancava. A vergonha, da merda que fora, já no hospital militar. O conselho de guerra, a suposta loucura. O restante pela terra, a terra pela qual eu, por mim e todos, lutara. A terra, a placenta, da minha mãe, que então me despejara.

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............................. - Virgilio Liquito -
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segunda-feira, agosto 02, 2010

CONFERENCIA SOBRE DIEGO VELÁZQUEZ Y DIEGO DE GIRÁLDEZ



O pasado día 29 de xullo tivemos o pracer de asistires a conferencia sobre dous xenios da pintura: Diego de Velázquez e Diego de Giráldez, nunha comparativa entre a obra de ambos a cargo do Catedrático da Universidade de Sevilla.

sábado, julho 31, 2010

Agarimas os meus dedos
co teu espido corpo
que todo o abrangue
nesta atardecida de silencios….
no que buguinas celestes
constrúen a madrugada….

Os teus ollos tecen ao meu redor
símbolos que enchen de cor
o mar que calmo, agarda…
e un diminuto cangrexo debuxa
no meu sexo unha porta
de rizada ollada

os segundos non camiñan,
arrástranse…
e un peixe durmido
finxe estar morto nunha estrela
que nunca descansa.

Érguense promesas de maternidade
no teu ventre, a miña casa,
e as túas pernas asemellan ser
a mesma area fundida na auga.

Estou rendido, prendido, perdido…
mentres agarimas os meus dedos
co teu espido corpo
que todo o abrangue
nesta atardecida de silencios…

no que buguinas celestes
constrúen a madrugada.


Miguel Ángel Alonso Diz

quinta-feira, julho 29, 2010

REVISTA ATENEA Nº38 - ESPECIAL POESÍA -



SUMARIO ATENEA 38
ESPECIAL POESÍA VERÁN 2010

EDITORIAL
BIBLIOTECA - HEMEROTECA
RADIO FILISPIM
O PARNASO


MIGUEL ÁNGEL ALONSO DIZ
ALFONSO RODRÍGUEZ
JOSE L. DUCID
Mª XOSÉ MOSQUERA BECEIRO
OLAIA PAZOS
MIGUEL ALONSO
LUCIA SOUTO COSTOYA
XOAN CARLOS DOMÍNGUEZ ALBERTE
ARTURO LEZCANO FERNÁNDEZ
ALBERTE MOMÁN
JORGE MIGUEL GAGO CHAO
ELISA ALVES ANEIROS
ALFONSO LÁUZARA MARTÍNEZ
JUANA CORSINA GONZÁLEZ FRAGA

CORRECCIÓN LINGÜÍSTICA
María Xosé Villar Corral

DESEÑO, MAQUETACIÓN e ILUSTRACIÓNS
Cocinanegra

terça-feira, julho 27, 2010

a illa da memoria
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no interior da ría do sur
a illa do mestre mendiño
o rumor da sua cantiga
e o rumor do vello lazareto
e o mais forte rumor
dos presos dos fuxidos
e dos asasinados do 36

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...... xullo 2010
e a illa da memoria
segue nas sucias mans
dos herdeiros dos asasinos

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....................... Manolo Pipas

segunda-feira, julho 26, 2010

A Illa das Mulleres Loucas

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A Illa das Mulleres Loucas, dirixida por Vanesa Sotelo, é un recital dramático baseado na obra homónima de Alfonso Pexegueiro, onde a linguaxe do corpo (encarnada polas actrices María Caparrini e Vanesa Sotelo) e a palabra do propio autor en escena se combinan coa música orixinal que os integrantes de Berrogüetto Anxo Pintos (zanfona) e Quico Comesaña (arpa) compuxeron para a ocasión e interpretan en directo, que xunto co deseño de luces creado por Baltasar Patiño dá como resultado unha peza poética e de gran plasticidade.
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Mércores, 28 de Xullo ás 22h no Auditorio Municipal de Cangas
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INVERSA TEATRO
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inversateatro@gmail.com
www.myspace.com/inversa-teatro
http://inversateatro.blogspot.com/

domingo, julho 25, 2010

25 de Xullo - DÍA DA PATRIA GALEGA
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sábado, julho 24, 2010

Couzas delirantes

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As couzas delirantes buscan desesperadas o foco, mais a luz intensa tan perto é cegadora e produce ademais unha calor insoportábel que fai suar a fío, estragando así unha escena xa patética de seu.
O ataque precipitado remata en gol en propia meta.
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...................................................... - Alfonso Láuzara -
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quinta-feira, julho 15, 2010

ROSALÍA DE CASTRO: 125 aniversario do seu pasamento

.Rosalía de Castro
con transferencias dos seus poemas.
Pasta de papel e lá
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................ - Susana Pazo Maside -
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sábado, julho 10, 2010

A pena do Cabrón

. Poderán eliminar as nosas pegadas,
mais non poderán ocultar a historia
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A pena do Cabrón
no último salaio dun verán
resistindo, home non!
agochada nas saias de A Guía
no marco dun toro de piñeiro
agarda unha marea chea de raiba
que enchoupe de bágoas a historia
e as cinsas da memoria inacabada
i n a c a b a d a
en Teis agarda sempre!

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................ - Alfonso Láuzara -
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quarta-feira, julho 07, 2010

Deambular polo mundo da escritura

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Deambular polo mundo
solitario da escritura
é non sentir a soidade
por ser dela unha parte.

É perderse nun deserto
de palabras como areas,
que voan nas ás do vento
do sentido pensamento.

Verterse en lixeiras verbas
que se enchen como velas,
dun veleiro no que os soños
que non poden voar navegan.

Explorar o mundo da escritura
é atopar un universo sen barreiras.

É narrar vidas non vividas
e darlles a cor dunha idade...
o nome dun tempo...
o sabor dunha identidade...

Reflexionar sobre décadas
inesquecibles, como a da infancia,
restaurando momentos perdidos,
crebados... ou abandoados.

Revolcarse entre verbas susurradas,
vivir unha paixón inesgotable,
incapaz de saturar ao dilatado
corazón namorado.

É perderse entre siluetas arquitectónicas,
camuflarse entre as tebras,
desentrañando xeroglificos das misteriosas sombras.

É nadar sen desacougo
nun mar sen fin, contido
nunha cunca cuia auga
é a sustancia do sentir.

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....... - Susana Pazo Maside -
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segunda-feira, julho 05, 2010

A PORTA VERDE CO AMIGO DIEGO DE GIRÁLDEZ




CASA MUSEO DO PINTOR DIEGO DE GIRÁLDEZ

A Casa Museo do pintor e escultor Diego de Giráldez abriu as súas portas en maio de 2006, para nos presentar a obra deste magnífico pintor, natural de A Cañiza.
A casa consta dunha colección de obras do propio pintor nun número aproximado de 250 pezas, que abarcan dende a súa infancia ata a actualidade.
O pintor e escultor Diego de Giráldez é recoñecido ao tempo que está representado en máis de cen museos de todo o mundo. É un artista que conseguiu xa hai tempo un merecido lugar dentro da pintura contemporánea española. O seu interese pola anatomía e o feito de ser o creador do “Realismo NAS”, que o artista define como a súa particular fusión entre o naturalismo, abstracción e surrealismo, avalaron o seu ascenso á primeira línea dos pintores deste século XXI.
Praza Maior, 4
Entrada pola rúa da Botica
Concello de A Cañiza
Tlf: 986 652 132
Aberto todos os domingos do mes de xullo en horario de 17 a 20 h.
Entrada gratuita.

Visitas para colectivos (asociacións, colexios...), concertar cita co departamento de cultura do Concello de A Cañiza.

ODA A DIEGO DE GIRÁLDEZ

Formas… formas xogando na lareira
tentando saír dese papel de estraza
que as eleva máis ala da súa propia realidade.

Formas que transcenden a súa verdadeira
acadando significados ata a chegada da túa verba
agochados nun traxe de surrealidade.

“Un obxecto é un astro no espacio” – dixeches

e eu podo ver como este avanza amodo
polo ar, pola terra,
polo cadro tecido por esa mirada
a túa,

sempre doce e sinxela,

humildade nun pincel no que cabe toda a humanidade.

E síntome pequeno ante esa palabra que nace, berra e medra
contra esa anatomía que ti desvelas
co silencioso camiñar da herba.

E síntome pequeno, xa o dixen,
ante este ourive do mundo suspendido no tempo,
do espazo poético, do trazo ilimitado,
do verso debuxado,
co cabo termina por atraparme…

dentro do seu doce e sinxelo marco.

sábado, julho 03, 2010

A musa dun xenio

."Espida no espazo" (1992)
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Dicir dun xenio é nunca dicir dabondo.
Foi primeiro excursión en amizade
e logo xa inminente incursión artística,
viaxe impresionante sen espazo.
Adentreime nos oníricos corredores
e canso de perseguir musas nos meus soños
enfilei polos labirintos reais do mundo NAS,
deixeime simplesmente levar do instinto.
Aquela lus na dose xusta como nas esencias
ía paseniño envolvéndome os sentidos.
E olla ela que alí estaba!
a mirare para outro lado en disimulo,
a musa de ensoño, distraída, exultante,
espida no espazo como ausente ou abstraída,
dona da lus que a súa beleza plena xera.
Entón comprendín aínda abraiado
que só un xenio de seu é quen de capturar
unha musa de ensoño nun lenzo!

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- Alfonso Láuzara -

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quinta-feira, julho 01, 2010

Carlos Drummond de Andrade

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AUSÊNCIA
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Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, /
que rio e danço e invento exclamações alegres, /
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

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Carlos Drummond de Andrade
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poema: Ausência (vídeo)
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A Magia da Poesia - Drummond de Andrade
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terça-feira, junho 29, 2010

Isolino Liméns

“O amor do mariñeiro”

Soedade do mar que traes
o meo amor mariñeiro
soedade do mar que traes
o meu amor verdadeiro.

Cando sinto o rescar
d'aquel barquiño que ven,
ábrense os meus olliños
pra ver a quen quero ben.

Alí ven o meu amor
o meu corazón despertar
alí ven o meu amor
amor de terra e do mar.

Nel estou sempre pensando
día e noite pocadiño
penso n'aquel meu amor
penso no mariñeiriño...

Mariñeiriño da ialma
que traballiños el pasa
no medio do mar revolto
un barquiño ten por casa.

Ventaniña do fayado
cantos recordos ti tes
calas sempre cando choro
abreste cando me ves.

Cando se revolve o tempo
o meu corazón se nubla
pensando no meu amor
amor de tanta dozura.

Aquel barquiño do xeito
co mar forte está batendo
aquel barquiño do xeito
ten o meu corazón dentro.

Amor do meu mariñeiro
amor de moita tardanza
amor ferro e verdadeiro
que no mar loita e balanza.

Isolino Liméns


Hoxe achegamos un aporte da nosa compañeira Elvira Millán Liméns, cuxo avó colaborou co mestre Landín, que foi un músico e compositor nado da villa de Marín. Entre as colaboracións entre ambos destacamos Brisiña.






“As mulleres do mariñeiro”

Mulleriña de Marín,
que sufrida tes que ser
o homiño vai pro mar...
e del non pode volver.

Descalza pola riveira,
de día e noite tamén,
para ganar un'ha vidiña
s'e que do mar non-che ven.

Os teus meniños descalzos,
de pequenos van pro mar,
envusca d'unha vidiña
axudandoll'e a seu pai.

Pensando no seu Carmelo,
que de guía deles vai,
pensando en ti,
sua naiciña,
que non deixas de chorar...

¡Virxe d'o Carme Señora
tende a mau polo mar,
meu homiño i'os filliños
de tin son a supricar!
¡Levante no corazón,
como naiciña querida

lévante na súa alma
lévante por súa guía!

sexta-feira, junho 25, 2010

A crise Decisiva

Filme: Elisabete Pires Monteiro


A crise Decisiva é algo de crónico na humanidade!

quinta-feira, junho 24, 2010

Noite de San Xoán

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Unha lus de vida malvivida morre na noite máis curta
unha lus vermella que xurde no planeta da fogata
ese resplandecente caparazón esperanza guindou criatura semellante
fóra do magma que queima miserias humanas
e medra combativo nas faíscas ergueitas en armas.
Voa ese chisco de lus no medio do fume que a ceiba en volantas
lanzada na adversidade estrelecida pra rompe-lo ceo a puñetazos,
avanza no vento indomábel á cabeza dun grupo de meigas
vestidas de negros farrapos e con boinas caladas,
voltas e rebiravoltas, escomenza a revolta
namentra-lo paxaro de lus fita a longa praia ateigada de formigas
estrañas, bébedas, espalladas na noite de lume;
mais a lus se marea ebriagada de vertixe e cansazo
e vaise deitar no berce do mar en calma
e baixa e baixa... e baila logo coas ondas
e non se apaga, velaí a tes meu amor incrédulo
esa lus ten ialma e non se apaga
esa lus é un desafiante amencer agochado na ría
esa lus leva un pouco de tódolos sonámbulos
seres infelices ilusionados con nada.
Esa lus, meu amor, nâo é coisa pequena
e agarda pescadores curtidos en naufraxios.
Esa lus voltará cando un novo día rebelde
prenda en nós (outros) pra enche-la terra de peixe.


.......................................... - Alfonso Láuzara -

domingo, junho 20, 2010

PECHADOS


Pechados

enclaustrados nas sombras
incrustados nas rochas

baleirados do zume bendito

De este xeito penamos
os nosos delitos…

Vencidos inimigos
caídos, luídos

sostidos polos soños perdidos

cheos de esquecemento
e por suposto esquecidos…

condenados a vagar
cun papel durmido…

De este xeito pagamos
a nosa falta de compromiso.

Castrados, comprados,
ananas sombras
baixo un vento calmo,

orfas cunchas
linguas de trapo,

xeración de covardes
ideais de farrapo,

De este xeito mostramos
o noso rostro máis acedo.

Mentireiros de saldo
mestres da desculpa
e dos amenceres amargos

Magos da nada
e do tempo asasinado

Herdeiros dos degoiros
que outros desexaron

creadores de fume
fornicadores de barro

engaiolados nun circulo
á mercé do amo

De este xeito ficamos
absoluta e definitivamente….

Pechados.


Miguel Ángel Alonso Diz

sexta-feira, junho 18, 2010

José Saramago, sempre!!



Como un dos teus fados
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josé saramago
etica e paixon de expresar
como nun dos seus poemas fados
coa saudade polo sur portugués
desde esa illa mitica xunto a africa
illa de atlantes guanches e lancelot
saramago como no seu ultimo
texto poema fado mariñeiro
dixonos ate logo ate sempre
dias antes do solsticio de vrán
cun cravo vermelho na man
ate logo ate sempre sempre

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tarde do 18 de xuño
- Manolo Pipas -
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Há-de haver...
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Há-de haver uma cor por descobrir,
Um jantar de palavras escondido,
Há-de haver uma chave para abrir
A porta deste muro desmedido.

Há-de haver uma ilha mais ao sul,
Uma corda mais tensa e ressoante,
Outro mar que nade noutro azul,
Outra altura de voz que melhor cante.

Poesia tardia que não chegas
A dizer nem metade do que sabes:
Não calas, quando podes, nem renegas
Este corpo de ocaso em que não cabes.

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A ti regreso, mar
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A ti regreso, mar, ao gosto forte
Do sal que o vento traz à minha boca,
À tua claridade, a esta sorte
Que me foi dada de esquecer a morte
Sabendo embora como a vida é pouca.

A ti regreso, mar, corpo deitado,
Ao teu poder de paz e tempestade,
Ao teu clamor de deus acorrentado
De terra feminina rodeado,
Prisioneiro da própria liberdade.

A ti regreso, mar, como quem sabe
Dessa tua lição tirar proveito.
E antes que a vida se me acabe,
De toda a água que na terra cabe
Em vontade tornada, armado o peito.

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José Saramago
do livro Os poemas possíveis
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terça-feira, junho 15, 2010

Olho-girassol

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Planto girassóis nos olhos
Para ter o que te ofertar
Girassol
Gira no sol
Gira no olhar
Que permaneça a alquimia
Do girassol no meu olhar
Girassol
Brilha no sol
Brilha no olhar!

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................... Rita Rosa (Brasil)

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sábado, junho 12, 2010

DESEXO

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Desexo...
coa sutileza dunha acuarela
dar formas aos meus pensamentos
que non son senón
gromos de sentimentos.

Coa musicalidade serea
da chuvia sen vento
compoñer...
con gotas de palabras
versos de recordos
macerados no leito do tempo.

E...
co tesón dese mar
que con brazos de onda
labra parcelas de rocha e area

desenrolarme sen desalento
empíricamente madurando
no devir do coñecemento.

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- Susana Pazo Maside -
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quarta-feira, junho 09, 2010

Auga de mineralización débil enriba da mesa que estaba chea de po

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Sería un peón esvaído
ondeando no momento
se non tivese valor
para te decir que non.

Sería unha vida de pedra
carente de sentimentos
ou roubados como rouba
terreo a auga aos cons.

Sería unha causa perdida
cando o ideal rozase o alento
da túa face contra miña
latexando de emoción

Sería xenial, sería fantástico,
sería a sentenza do meu eu,
globalizacións prismáticas,
que bo sería
se todo o mundo estivese d'accord

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........... - Fabián Barreiro -
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segunda-feira, junho 07, 2010

Pintura de Josuha Acuña Martínez

Un artista moi novo de Bueu (Galiza)
Bacharelato de Artes do "María Soliño" de Cangas do Morrazo.
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"Liberdade"
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"Lembranzas líquidas"
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domingo, junho 06, 2010

Querido amigo:

hoxe é un día gris cheo de nubes cansas e tristes, no que os ollos, labrados polas bágoas asemellan silandeiras figuriñas de terra

hoxe os segundos carrexan recordos que van chegando sen permiso até o peito oprimido, e o ecoar das conversas, agora mudas por sempre, vai deixando na orela un arrecendo de esquecemento co que xuro loitar cada día...

hoxe, meu querido amigo, compartirás mesa na casa dos elixidos, e dende aquí, dende este ceo gris ateigado de nubes orfas envíoche un abrazo.

Seica non é un adeus amigo, senón un deica-logo.


In memoriam Jose Carlos (5 xuño 2010)



Miguel Ángel Alonso Diz

Palabras vacías de significado

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Flotan ao meu redor
palabras vacías de significado,
como motas de polen ansiando
preñarse no leito da terra.

Indagan cal paxaras extraviadas
buscando o niño, onde famentos
agardan os desasistidos poliños.

Pérdense as veces no camiño,
cal dardo rastrexando o centro
dun confuso sentimento.

Namentres eu erro
tentando darlle pulso á palabra
nos meus beizos, vexo o arco da vella
entre ceo e terra ancorado.

Con sete fíos de cor albisca o horizonte,
na procura da man que o tense
liberando ós seus raios de luz detida,
cal verbas adormecidas.

Bótolle a man...
préndese nela...
¡¡ tenso...
e solto!!

Como decididas frechas
ao seren lanzadas propáganse
trala súa ventura, en feixes
de ringleiras que soan como versos
entrelazados dun poema.

Versos que arroupan dos sentimentos
os corpos, que devecen ser poesía,
como pétalos aunados cal setestrelo
no ceo, querendo formar a flor.

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- Susana Pazo Maside -
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sábado, junho 05, 2010

segunda abordaxe

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en poucos dias
segunda abordaxe sionista
a un chamado barco da paz
cheo de medicamentos e viveres
e din nunha radio oficial hispana
abordaje sin incidentes
como se uns nove asesinatos
e centos de represaliados
fosen un incidente

e esta vez non houbo mortos
pero en gaza e palestina
hai asesinatos case todos os dias

palestinos e activistas somos os mesmos
dixo sen pensar un dos segundos
nunha rolda de prensa logo de ser deportado

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mañán do 5 de maio
- Manolo Pipas -

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catro textos e unha imaxe por palestina
www.envolventesaspalabras.info

segunda-feira, maio 31, 2010

ai gaza AI GAZA

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ai cantas prazas
no mundo hoxe
se chamarán gaza
ai cantas prazas
ai gazas cantas

ai os barcos os barcos
que querian ser
os barcos da liverdade
que foron do espanto

ai cantas prazas
ai cantos mortos
AI CANTAS GAZAS

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- Manolo Pipas -
galiza 31-5-10
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para os ultimos
e todos os mortos
do imperio israelita

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publicado en
www.envolventesaspalabras.info

sábado, maio 29, 2010




Son como unha árbore
baixo un ceo fuxitivo
que non se deixa amar.

Por máis que medran os meus versos
estás sempre tan lonxe...!

Dende o outeiro que me viu nacer
agardarei o amencer con ollos de neno
e amareite coa forza do mundo.

Encerellado na terra
treparei polos teus brazos de ar
até acadar unha morte
que ó cabo, me transporte lixeiro
como cinsa, pero cinsa namorada
polo teu corpo imposíbel.

Meu amor, meu ceo fuxitivo,

por máis que medran os meus versos
estás sempre tan lonxe…!
.
Miguel Ángel Alonso Diz
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terça-feira, maio 18, 2010






Mentes Diverxentes, é unha exposición realizada por 3 novos valores.
Unha mostra de caracter persoal e pouco convencional na que mostraranse diferentes traballos de pintura, fotografía e escultura. Dunha maneira única, orixinal e autodidacta, Estes 3 artistas móstrannos o seu mundo persoal de fantasía e imaxinación no que poderás deixarte levar por todos os teus sentidos ao longo dun peculiar recorrido artístico.


INAUGURACIÓN o Martes 18 de Maio ás 20,30 horas no Ateneo Ferrolán.

segunda-feira, maio 17, 2010

17 de Maio de 2010



DÍA DAS LETRAS GALEGAS

dedicado ao poeta do Courel

Uxío Novoneyra

sábado, maio 15, 2010

Entre Rosalía e Novoneyra


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entre rosalía e nononeyra
un tempo de loita pola lingua e a cultura /
un tempo de letras galegas
tempo das follas novas e dos eidos /

.
hai corenta e sete anos
un dezasete do mes de maio
cumprianse cen anos da publicacion
dos cantares gallegos de rosalia de castro
libro de raiz oral e base da nosa cultura escrita
e este dia foi declarado polos intelectuais
na clandestinidade da dictadura
como o dia das letras galegas
e hoxe os fillos e netos politicos
daqueles fascistas ai seguen golpeando
a nosa lingua e a nosa cultura

.
rosalia e nononeyra
duas frondosas arbores de poesia
rosalia a poeta popular e a poeta do pobo
novoneyra o poeta do pobo
pero pouco coñecido
o poeta da terra e o poeta social
silenciado polo poder nestes anos

.
.................. (vigo 12-5-10)
.............. - Manolo Pipas -
.

Camiño de volta aos eidos

(a Uxío Novoneyra)
.
da tua elexia é o tempo
compostela lugo e as campás do courel
camiño de volta aos eidos
.
en silencio acendin un lume por ti
ollando o lume lembrei os teus versos
e na compaña dos meus seguin calado
sentindo como se asaban as castañas
.
lume da morte e lume da vida
e as castañas sabiannos a terra
en silencio sain do silencio
e mañan recitarei versos por ti
.
en lugo o dia da tua non despedida
poucas voces foron capaces
de facer o coro na letania
.
............... Manolo Pipas (11-99)
.

quarta-feira, maio 12, 2010

Queremos galego!

17 de Maio - Manifestación en Compostela!

Saída da Alameda. 11:30 h.
.
.

segunda-feira, maio 10, 2010

Ciclo de cine DICIMOS GALEGO


Todas as proxeccións serán os Martes ás 19:00hs. no Salón de Actos do Ateneo Ferrolán, e a entrada será de balde.

domingo, maio 09, 2010

Todo vai chegando a min
neste continuo ir e vir de ondas
que me acompaña

chegan as buguinas, as lembranzas,
chegan as arelas e as pedras

tamén as desgrazas

todo vai chegando a min
co devalo da terra,
as amizades devoradas
as mentiras, as xenreiras

todo vai chegando ao meu corpo
dende a mar silandeira,
mentres eu agardo calmo
coa conciencia lixeira

Miguel Ángel Alonso Diz

sábado, maio 08, 2010

Páxinas de suor

.
Unha volta polo teu fogar
amigos, xente que coñeceches
fervenza de lembranzas
sabes que a xente non cambia
¿por qué esta teima logo?

Camiñando polo meu lar
a miña memoria recorda.
Por os dente longos como manía
ou coma hobby.

Desde logo que non debería.

Amósote o chupa-chups
mais logo cómoo eu
ante a expresión de
incredulidade-pena-rabia
do teu rostro.

Levantarse a media noite para tomar mel,
o mel que engurrará a miña enchoupada
gorxa, axudando a esmagar
o fuxido esplendor.


Pervertemos a esgallo
reconstruimos o accidente
e pode ser que a miña decepción esté
enmascarada,
pero non o está a miña rabia.

.
....................... - Fabián Barreiro -
.

terça-feira, maio 04, 2010

Agra

I

Caio sobre a nube de algodón

nunha pradería

dun e doutro raigrass

alimentados polas bondades infinitas

dun millón de pérolas de cores


como nas noites de sábado

que suscitan a recusa unánime

dos que quixeramos crer

que hai luz ao final do silo



II

Cando teñas que dar unha indicación

fala sempre do cruce da Pereira


aló conflúen todas as direccións

e morre o millo

na sementeira directa dun día de choiva


Alberte Momán



domingo, maio 02, 2010

Hospital: A agulla e o palleiro

.
Nin unha alma se move no hospital,
sen folgos berro non quedan moedas,
paredes brancas e brancas sensacións,
bicarbonato de sodio nas veas,
queixume das padiolas finxen tremer,
a agulla e o palleiro,
hoxe bailamos con esa visión.

Entre a vida e a morte estou
e ao chegar á alfándega das mágoas
semento bágoas nese mar de algodón
onde naceran sempiternas pingas
que me fan deitar no límite entre
a agulla e o palleiro,
alugo mistos en espiral maior

Axeitamos á raíña retorta,
xantamos vacinas de xeito sutil.
Asexamos entre os quirófanos.
O viño non é viño,
senon sangue
coagulada.

.
........ - Fabián Barreiro -
.

sexta-feira, abril 30, 2010

Perdóovos pola vosa mala baba
caracois de mirada xenreira,
seica sodes pobres de espírito
cegas cunchas baleiras

perdóovos pola vosa escasa conciencia
e polas mentiras vertidas
dende a vosa falsa aparencia.

perdóovos porque non sabedes o que facedes
nin as súas consecuencias

perdóovos porque non desexo ensuciar as cadeas

perdóovos porque o meu corazón
é unha limpa fonte senlleira

perdóovos porque a miña fe
e o perdón sen regras

perdóovos porque no perdón atopo
a felicidade que xa chega…


Miguel Ángel Alonso Diz

campos abandonados

muitos campos están abandonados
abandonados os muiños e os regos
e a auga desvíase e baixa polas corredoiras
desfacendo o traballo de moitas xeracións

e no solpor tamen baixan
os xabarins entre os soutos e as leiras
desfacendo os ultimos traballos das familias

no medio da corredoira duas crias xogan
e tamen xoga na casa a nena que naceu na aldea
logo de mais de vinte anos sen nacementos

as chozas 24-4-10

Manolo pipas

a pedra e as chozas

a pedra e as chozas / camiñan parellas
casas e muiños / e os muros das leiras
pontes e cruceiros / que che dan o paso
terra do granito / de duros paisanos
pedras lavadeiros / cantas escaleiras
tamen os canastros / coas suas cubertas
casas que se caen / agora se arranxan
o vello granito / que nunca descansa

as chozas e a pedra
antes e agora
camiñan parellas

darredor da casa / vai un empredrado
as vellas sopenas / baixo os nosos pasos
pedra ben feitiña / cadrada sopena
ti ben que nos dabas / unha boa mesa
unha estraña pedra / vai facer un banco
parece un menhir / alguén dixo un falo
estas duas pedras /non son indultadas
que segue o empedrado / darredor da casa

as chozas e a pedra
antes e agora
camiñan parellas

entre unhas silveiras / foron ocupadas
duas boas pedras / por unha lagarta
a toba o reptil / non conservará
estas duas lousas / seguen a empedrar
algunhas visitas / as chozas chegaron
viven na cidade / camiñan pro campo
tolo mes de abril / de sol e poalla
hoxe van uns versos / os corpos descansan

as chozas e a pedra
antes e agora
camiñan parellas

as chozas 24-4-10

Manolo pipas

elegía en la lucha triqui

poema urgente por la lucha triqui
fue ayer fue en febrero
fue en noviembre
fue en …

cuanta miseria cuanta sangre
cuantos golpeados i muertos
cuantos desaparecidos ?!

que sucede en la region triqui
que pasa en cada uno de sus pueblos
i que hemos perdido ?!

la caravana por copala parada en la sabana
eran hermanas i amigos entre oaxaca e finlandia
i las palabras fueron contestadas por las balas
pero no fueron paradas

triquis yi ni´nanj ni´ïnj
gente de la palabra completa
ay la palabra la palabra
l a p a l a b r a

diego minas
oaxaca 28-4-2010


Manolo pipas

quinta-feira, abril 29, 2010


Este venres 30 de abril estréase nos cines comerciais Odeón-Narón o filme RELATOS, de Mario Iglesias.

Relatos é unha película que fala dunha muller con problemas sociais no ámbito doméstico, que escribe para fuxir da súa propia realidade. É un filme de temática social, centrado no personaxe feminino de Rosario, a protagonista.

Ateneo de Ferrol

quarta-feira, abril 28, 2010

Jazz Standards Collective no UF!

.
Concerto do grupo JAZZ STANDARDS COLLECTIVE
Venres, 30 de abril ás 23:30 h.
Café UF. Negra Sombra Blues (Pracer, 19 - Vigo)
Entrada: 2 €
.

segunda-feira, abril 26, 2010

Con "xe" de "equis"

.
Arredor de min saen círculos ambiguos,
prometinme ser perfecto e atopeime cun muro
de lama.
O que non sabía era como funcionaba
a complexa maquinaria,
argallando,
roendo,
até que me deixaches sen forzas,
e xa non puiden apodrecer na miña espiral
autodestructivamente alleo, limiar da miña
fiestra, rexeitar a mazá converteuse nun erro.
Debuxo círculos no chan
e por máis que intento cadralos non me atopo
mais que coa impertérrita razón de ser
do noso senso postrado sobre unha cama,
paralítico.

.
.............
- Fabián Barreiro -
.

polución no teu cemiterio

Desacougados quedan teus cravos vermellos
na cinza diluída na auga escura do meu floreiro.
Pasa o tempo coma o trafego sanguíneo
de arterias aforcadas en tolemias graxentas
desasistidos miserábeis en crucifixións verdes
nos dominios de grandes corazóns enfermos,
respiracións entrecortadas i exaltadas
cando os teus ollos húmidos perden soño en destellos
e asoman asedios de pipas erectas
sobre das insinuacións marelas nas tebras
de patrias supostas no teu corpo verdescente
porque te venden, porque perdes monte
porque te quero verde mancomunada
porque te busco saudábel entre brétemas sinistras
e non sei se acaso te atopo nun punto cativo
perdido no medio da Ría que agarda
a que moitos en recuperalo perdan a vida;
mais eu sempre te desfruto enferma
e gusto de verte universal rediviva
no meu exceso volcánico de exaculación ideolóxica
porque te quero fodida antes que morta de medo
porque te rego de esperma curado de arrepío
porque cómpre saca-lo terror das tombas
nas que copulamos envelenados co tempo;
porque te alugan en nichos comunitarios
porque a cota láctea non te enche o ventre
porque te tiran en fosas miña amada rubia galega.
Pero medrarán na polución dos cadavres as serpes
coma a semente, miña amada, coma a semente.
O povo é quem mais ordena, no mar e na terra
e tamén no pube da matria nos cemiterios.
E ti, Xuntacadavres, nada sabes destes místeres
mais as tebras chamarán por ti encantadoras
cando encendamo-la utopía no ultraista burato negro
onde amamos ao demo de pirola rabela e cornos alleos.
Os tempos son chegados, querida,
pro meu deleite no teu ventre de inferno.

alfonso láuzara

a beira da casa da horta

quadras na beira da casa da horta

alfandega e ribeira /eses populares bairros
as tendas sacan pra rua / as hortalizas do campo

ese vello lavadeiro / esas mulleres descalzas
frotando nos seus tapetes / botando xabron e auga

cantas casas que se caen / co rumor dun vello fado
o vento traerá a chuvia / e os gatos polos telhados

e hai hortas pequeninhas / entre casas e valados
os limons do limoeiro / acidos versos que fago

un barrendeiro inmigrante / de guinea ou cavoverde
barre ecoloxia e lixo / tanta vida que se perde

cantos templos e museos / torres arcos i esculturas
segue fora o meu caminho / que na rua está a cultura

unha ponte outra ponte / o douro chegando ao mar
canta riqueza e pobreza / que parte ou que quere entrar

os rabelos na ribeira / coas suas pipas de vinho
os corpos que van e venhen / ai as veces sen sentido

ese chiar das gaivotas / i esas pombas tan caladas
e as camaras dos turistas / que non captan case nada

lavadores valadares / nomes que me son comuns
bairros da minha cidade / nomes do norte e do sul

cae a chuvia miudinha / nun banco segue deitado
de costas ao rio un home / entre o vinho e o pasado

as escadas do barredo / eses cheiros a comida
e as escadas das verdades / que antes eran das mentiras

alfandega e ribeira / eses populares bairros
segue baixando este douro / con preguntas polo baixo

e regreso minha amiga / volto pra casa da horta
fora seguen as gaivotas / dentro a casa colectiva

alfandega e ribeira o porto 10-09

Manolo pipas

os cravos e a crise

para o colectivo a porta
verde do sétimo andar
ándele pois



aquelas portas de portugal
pechadas mal pechadas
ducias e centos de anos
antes do vintecinco de abril

aquelas portas que se abriron
mentres na galiza seguian
outras portas mal pechadas
moitas que se tardaron en abrir

neste filo café da negra sombra
na crise a critica e os cravos
os cravos bermellos da verdade
a memoria a creacion a construccion
as imaxes as palabras e os cantos
esas flores esas plantas e esas árbores
esas arbores e ese bosque de abril

vigo 24 de abril do 2010

este poema coa trova de abril
e as quadras a beira da casa da horta
foi a miña pequena aportacion
esta noite pasada no negra sombra

Manolo pipas

quarta-feira, abril 21, 2010

HOXE É ONTE

Hoxe é onte


A choiva erguera a súa man
con medo a mollarnos


quizais por iso estaba triste…

A noite chegara máis cedo que de costume
e os seus dentes asemellaban estrelas orfas…

Todo era silencio no silencio…

Hoxe é onte

A lúa durmía fora do cadro
porque xa non quedaba pintura para ela

e eu… estaba canso. Estou canso.

Uns ollos vixiaban dende o norte
sementando gotiñas de luz,

pequena esperanza para o verde froito.

Unha barca espida apalpaba a terra
con húmidas lembranzas de sal e escuma.

E as árbores, moi serias,
estaban fartas de tanto conto
e axitaban teimosamente as súas follas
no intento imposíbel de voar lonxe.

Onte é hoxe..

Todo está creado
incluso antes de que eu o imaxinara.

O ceo xa era cárcere antes de que eu nacera,
e as estrelas morren nunha eterna caída
que nunca chega.

O mar está incompleto
e o seu corpo esvaecese nos recunchos dun marco
luído polo azo esborrallado.

Todo é pasado castrado
nesta comitiva de barcos fúnebres
e ollos aboiados.
Onte é hoxe

Por iso non atopo ríos novos
cos que me arrolar
neste infindo e mudo mundo

Todo é silencio no silencio

Os meus segundos son intres de desacougo
que apreixan a alma debuxada

E eu… estou canso. Estaba canso.

Mans constrúen ondas
que veñen morrer xunto a min

E os paxaros gardan a súa voz
cando intúen o meu corpo.

Nada podo facer para cambiar isto

Nada puiden facer

para cambiar isto.

Hoxe é onte.


Miguel Ángel Alonso Diz

quinta-feira, abril 15, 2010

TRES POEMAS CON MIGUEL HERNÁNDEZ

vento do pobo

vento do pobo ai vento‭
labrego e pastor amigo
entre romance e soneto
o teu trino

vento do pobo poeta‭
voz de trigais e olivos‭
susurro de pan e cebola
o meniño

vento do pobo miguel‭
co teu traxico camiño‭
o campo a guerra a prision‭
sen sentido

vento do pobo poeta‭
o teu tempo meu amigo
entre poema e cancion‭
segue vivo

vigo‭-cangas ‬11-4-10


ante la vida sereno

ante la vida sereno‭
y ante la muerte mayor
si me matan bueno‭
si vivo mejor
yo soy la flor del centeno
que tiembla al viento menor‭
si me matan bueno‭
si vivo mejor‭
aquí estoy vivo y moreno‭
de mi especie defensor‭
si me matan bueno‭
si vivo mejor‭
traidores me echan veneno
y yo les echo valor‭
si me matan bueno‭
si vivo mejor‭
el corazón traigo lleno
de un alegre resplandor‭
si me matan bueno‭
si vivo mejor‭

miguel hernández

miguel poesía e canción

miguel hernandez naceu hai cen anos
miguel o pastor miguel o republicano poeta
que deixou o campo pola gran cidade
miguel o miliciano que non é o mesmo que soldado
o home que non quixo fuxir e foi de prision en prision
escribindo alguns dos poemas mais libres

autor de libros como el rayo que no cesa viento del pueblo
el hombre acecha e cancionero y romancero de ausencias
e nestes meses se suceden as exposicions os recitais
os concertos e homenaxes á voz de orihuela
o poeta silenciado pola dictadura
lido tantas veces na clandestinidade
que nos anos sesenta e setenta pasou a ser cantado
e o poeta é un dos autores mais musicados
entre distintas voces e acentos do estado español
uruguay argentina chile … cantado entre lorca e neruda
vallejo machado leon felipe nicolás guillén celaya…
e letras dos propios cantores

los juglares sergio aschero e angeles ruibal
adicaronlle un disco completo está despuntando el alba
cos seus tamen poemas completos vientos del pueblo
nanas de la cebolla andaluces de jaen
un carnívoro cuchillo ante la vida sereno
el niño yuntero antes del odio elegía a ramón sijé
tristes guerras y llego con tres heridas

enrique morente grabou homenaje flamenco
a miguel hernandez con sentado sobre los muertos
el niño yuntero nanas de la cebolla el carro de mi fortuna
con la raiz del querer un veneno pa que yo muera
dios te va a mandar un castigo

e tamen andaluces de jaen na voz e de paco ibañez
ausencias y tristes guerras de los lobos
escribeme paloma do uruguayo hector numa moraes
con dos años de luis pastor e las carceles de elisa serna
mis ojos son tus ojos de pedro avila
bocas de ira e el juramento de la alegría de adolfo celdrán
el niño yuntero na voz do chileno victor jara
e tantos outros poemas que se cantan xa como anonimos
miguel hernandez poesía e canción

lariño
vigo 10-4-2010

Son tres achegas do noso amigo e compañeiro Manolo Pipas

quarta-feira, abril 14, 2010

JAZZ STANDARDS COLLECTIVE no Café UF!


Venres 16 de abril ás 23,30 h.
concerto do grupo JAZZ STANDARDS COLLECTIVE

.

terça-feira, abril 06, 2010

Xa está na rúa o número 37 de “ATENEA” a revista trimestral do ATENEO FERROLÁN

Sumario


EDITORIAL
BIBLIOTECA - HEMEROTECA

Novidades Biblioteca – Hemeroteca Marzo 2010

XENTES
LETRAS GALEGAS: UXÍO NOVONEYRA


FALAMOS DE ......

MIGUEL HERNÁNDEZ
A NOITE DE SAN XOAN
CASTELAO 60 ANOS DESPOIS. UNHA PEQUENA LEMBRANZA
REAL ACADEMIA GALEGA


ARTIGOS
“Na sombra íntima de Uxío Novoneyra” (1) por Rosa Méndez Fonte
ELISEO FERNANDEZ “CENTENARIO DA CNT”
MANIFESTO ROSALÍA
HURBINEK por ALBERTO SUCASAS (Profesor Filosofía na Universidade da Coruña)
A AUDIENCIA DESOBEDECE E TOMA OS MEDIOS por DAVID FERNANDEZ GARCIA
Unha lección de supervivencia a través da Música de Gaita por Ana Martín García. Licenciada en Xeografía e Historia e en Xornalismo

PROGRAMACIÓN
PROGRAMACIÓN ABRIL – MAIO – XUÑO 2010
MARTES DE CINE
CONVOCATORIA CERTAME MEDIO AMBIENTE


MULLER
“A Guerra dos Corpos” por LUPE CES


O PARNASO
UXÍO NOVONEYRA
MIGUEL HERNÁNDEZ

segunda-feira, março 29, 2010

entre ciclos

case pechando ciclos
como camiños en circulo
que me levaron ao lugar de partida

case como pechando ciclos
entregando o traballo realizado
a unha familia colectivo comunidade

a este bo compañeiro
non o via desde hai tres anos
e agora xa nos volvemos a atopar

a unha aldea levei unha carta
a outra comunidade uns saudos
e nas duas me preguntaron
por amigas e compañeiros comuns

case como pechando ciclos
a tortilla e o comal redondos
e a lua tamen case redonda
xa vai pechar e abrir outro circulo

acá estiven hai anos e meses
e tivemos un fermoso encontro
acá non pensaba poder voltar
acá nós pudimos compartir…

pero hai outros circulos
que se abriron nesta viaxe
que debo se podo e me deixan
noutro tempo seguir camiñando

lariño
oaxaca-anahuac
finais de marzo 2010

Manolo pipas

domingo, março 21, 2010

rosanegra

Pasea polo bosque outonal
agochándose silandeira, eterna
amiga viaxeira
Modela, transforma, descobre
novos eus usurpadores
que se remexen viscerais
Causando dores atroces
en cada falido parto
un aborto neuronal
Fetos deformes saen a luz
derreténdose graxentos
polo corpo espido
E da pel saen flores
Buscando o sol... para expirar...

quinta-feira, março 18, 2010

A NOSA CLASE POLÍTICA

Nego dos que din que din
e non din nada
mentres deixan a batalla
na pluma doutros
coma a unha vella abandonada.

Renego dos que fa que fan
e non fan nada
mentres choran polas tabernas
o eterno da súa desgraza.

Nego e renego dos que din que fan
por esta a miña terra amada
mentres enchen os petos
e ensucian a nosa ialma.

Miguel Angel Alonso Diz

segunda-feira, março 15, 2010

DANDISMO

Publicado por Cruz Martínez e rosanegra.

sexta-feira, março 12, 2010

AQUELA NOITE

Aquela noite fría en Compostela
de paseo antigo ebriagado e bohemio
en que lle deu por tender o corpo como un lenzo
pousado en pleno centro da entrañábel praza
do Obradoiro de poesía e soños
tan só para contemplar ante si a inmensidade
dende o corpo de elegancia rendida
proxectada con soberbia cara o ceo estrelecido.
A xeada sempre escolle as costas para entrar no corpo.
Unha figura maxestosa de contornos
como unha fermosa ondulación da pedra,
en harmonía co ancestral cosmos que procura,
negra sombra que do seu asombro se asombra
para deixar na lúa a pegada dun soño.
Era todo desexo fatal incontíbel en garda en espera.
Todo era tentación doce a caer en decadencia
e deixarse caer xa sen remilgos sobre un corpo ben acaído
tan suavemente, como orballo na madrugada, esa fera
e depositar aquel bico delicado nos perfilados beizos,
procurar con ansia o cosmos cara a cara
e remexer estrelas coa lingua ebriagada de lus
para a posteridade.
A tentación alí estaba na praza.
Sen dúbida,
a imaxinación no luar desatada.
Era un intre de pedra xeada. El suaba a fío.
Aquela noite fría, Compostela era un bico na lembranza.
Afroxou o nudo da garabata, mais xa era tarde.
O dandi penduraba enforcado no devalo.

.
......................... - Alfonso Láuzara -
("Dandismo en Compostela")

segunda-feira, março 08, 2010

Quelli occhi senza vita

Quello sguardo altr’ore felice
Adesso, solo puo afferrare
bricioli di ricordi
di quando tu sei vivo
In torno a te
cerco la pace che ho perso
quando tu sei morto
Questa situazione
ha tornato il mio viso
troppo infelice
Cruz Martínez

segunda-feira, março 01, 2010

Poemas pequenos - II -

Hai unha árbore no meu eido
que se resiste a saír,
é moi tímida e da pobre
só asoma o nariz.

Eu régoa tódolos días
antes de ir a durmir
pero ela sigue agochada
dentro da súa raíz.

Agardo que nunca se sinta soa
e coñeza o que é sufrir;
por min que siga agochada
se con iso é feliz.

Miguel Angel Alonso Diz

Vídeo dos ENCONTROS

Publicado por rosanegra.

domingo, fevereiro 28, 2010

Imaxes de: Encontros no 7º andar

Na foto, de esquerda a dereita: Enrique Leirachá, Miguel Ángel Alonso, Cruz Martínez, Cristhell, rosanegra e Servando Barreiro.



Publicado por: Cruz Martínez

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Alí estabas, ou non?
como unha deusa inaccesible
mentres te espías diante da miña tristeza.

Alí estabas, ou non?
amosando as túas entrañas
con exquisita delicadeza.

Alí estabas, ou non?
afundindo os meu soños con saña
e con viril dureza.

E pensei:

quero arrincarme os ollos
ante os teus ollos
aínda que non esteas

deixar que me afogue a marea
porque son o máis anano dos ananos
e ti...

unha deusa inaccesible
que rompe coas recen paridas palabras
dos teus beizos as cadeas,
que me manteñen preso
ao inmóbil horizonte do firmamento.

Alí estabas, ou non?
mentres unha tormenta xurdía do meu peito
para acabar afogándose no meu escroto.

Alí estabas, ou non?
mentres eu recollía o corazón desfeito
para agochalo no meu peto roto.

E pensei:

quizais só son un onanista, un covarde,
unha sombra nunha cova, que arde
condenado a ser unha gris pedra sen nome

sen bágoas coas que alimentarse
porque son o máis anano dos ananos
e ti...

unha deusa inaccesible
mentres as cadeas foron trepando
por riba de min como paxaros invisibles,
e eu non desconfiei
cando os meus ollos se pecharon.

Alí estabas, ou non?
Mentres me masturbába con reflexos sen vida,
estéril, inmóbil, como o horizonte do firmamento.

Alí estabas, ou non?
mentres me torturaba diante de ti como un orfo,
un orfo de min (fría estatua enfraquecida).

E pensei:

Estou cheo de cadeas
que foron trepando por riba de min,
como paxaros invisibles,
e non desconfiei!
porque son o máis ananos dos ananos

E cando as mans trataron de andar
xa era tarde, inverno,
e tratei de loitar
pero só foi un momento
porque son o máis anano dos ananos
e non me merezo!.

Alí estabas, ou non?
mentres eu debullaba este momento
e recollía do chan os anacos
que transportaba o silencio.

E pensei:

quero arrincarme os ollos
ante os teus ollos
aínda que non esteas

deixar que me afogue a marea
porque son o máis anano dos ananos
e ti...

unha deusa inaccesible
que rompe coas recen paridas palabras
dos teus beizos
as cadeas que me manteñen preso
ao inmóbil horizonte do firmamento.

E alí estabas, ou non?
mentres o tempo camiñaba os poucos,
case a tentas.

E alí estabas, ou non?
mentres eu suxeitaba ós soños
co fío das miñas veas...

e tratei de loitar
pero só foi un momento
porque son o máis anano dos ananos
e non me merezo!.

E pensei:

quero cravarme unha lanza nas costelas
quero sangrar!
ver saír a vida delas

a dor, doce golpe que esperta,
tan forte que a alma esquecida
chore polas cuncas baleiras
e ti...

unha deusa inaccesible
mentres te espías diante da miña tristeza.


Miguel Ángel Alonso Diz
Poemas deherdados

domingo, fevereiro 21, 2010

Fotos do festival de Valadares

Fotos: Begoña Miguélez e Cruz Martínez

Publicado por: Cruz Martínez

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

O sábado estaremos en Valadares

Esta fin de semana está adicada á poesía no lab alg-a.O venres de 18:00 a 20:00 H e o sábado de 11:00 a 13:00 María Lado estará dando un curso de poesía no Centro Cultural de Valadares.
O sábado a partir das 17:30 H:
17:30 colectivo porta verde do sétimo andar
18:30 Elvira Riveiro
19:00 Silvia Penas
19:30 Ledicia Costas
20:30 Mr Caracter acústico
21:30 Leo y Arremecaghona
22:30 AID Micro aberto!
* poesía visual a cargo de Ellas (Antía Sánchez + Lucía Romaní)
* acción instalación "escritos de vento" por nelaque
* videoinstalación "autopoema colectivo" por Mig
Publicado por: Cruz Martínez

sábado, fevereiro 13, 2010

Deixeime!
arrinqueime a pluma
que tiña cravada na alma
e deixeime!

levar por unha corrente
sen palabras,

e perdinme!
na máis escura das escuridades,
e encontreime!
agochado nun verso esquecido,
e odieime!
pola miña covarde mirada ausente,
e xulgueime!
con tal dureza que
condeneime!
e craveime de novo a pluma
e deixeime!
atrapar de novo pola palabra,
e envolvinme!
na miña capa de tristeza
e ameime!
e voltei de novo a esquecerme
e deixeime!!

Miguel Ángel Alonso Diz

A miña filla

Meu amor...

non lembro como era a vida
antes da túa vida

non lembro se a lúa cantaba
ou o sol durmía

non lembro se as árbores falaban
ou o mar ruxía

non lembro meu amor,
como era a vida
antes da túa vida.


Miguel Ángel Alonso Diz

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Melodías fotografadas e a súa distorsión

I

Limiar ao espertar consabido

1

Hai cousas da vida, hai cousas que gustaría de contar.
O vento ferido grita: "¡viva a guerra!" e os dous de sempre
falan dos porcos de pé que xa sentaron acomodaticios.
A súa ilustrísima, arquitecto da incomprensión
murmura alto: "Pura vida", -cos dentes retóricos e místicos.
Pola estupefacción do sicofanta, o cepillo de dentes
négase a limpar de catro a catro a sombra cazadora da nosa terra.
Este corea ao leste na batalla de Varado e Waterloo:
"¡En Siberia vivíase peor!".
Xa a imposibilidade da razón, máis alá da innegable entropía,
invoca a virtude: "arestora, esperta maxín!"
A resurrección das mentes lúcidas:
haberá de chegar algún día á segunda filosofía:
outra oportunidade máis que algún
terá de estragar, xa verás.
Pois arredor do non só hai minifundio
e prefire a esmorga do destino:
estragos baseados en feitos reais da Galiza hoxe,
para morrer coma mártires subsidiados.
Mais, para isto: "¡Non saber o camiño!".

Manuel Piñeiro

domingo, fevereiro 07, 2010

Presentación do libro de ProLingua


O venres 5 de febreiro na Casa Galega da Cultura de Vigo. Tivo lugar o acto a prol da lingua galega ás 20:30 horas, cunha grande afluencia de xente (200 persoas). Este libro colectivo tira por terra todas as falacias que se verten sobre o idioma e segundo os propios autores é unha:
" ANÁLISE DOS PREXUÍZOS MÁIS COMÚNS QUE DIFUNDEN OS INIMIGOS DO IDIOMA"
rosanegra e Cruz Martínez

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

“Liturxia dos mares” Marlene Pasini

...”que virá do poeta, do poeta mesmo nesta
busca temíble, nesta contenda luminosa?”
St. John Perse

Que bosques de auga,
que mundos migratorios navegaches
sobre a túa barca de quimeras?

Escintilaron astros naquela penumbra
refachos enfeitizados dun brillo consagrado
ao principio dos ceos
onde lentos os días agardaban.

Baixo e escuro golpe dos tronos
estaba o lugar do teu camiño
e fronte a ti a vasteza do mar,
séculos de azul o horizonte ardía.
Alas do teu soño ganduxan noite tras noite
a trama do destino.
Soubeches entón que respirarías sendas entre sombras,
labirintos onde xorde o ulido da tebra,
a luz no instante do raio,
ar en vertixes onde paxaros perturban a choiva e o abismo.
Por iso houbo un tempo que para ti sería sagrado
inscrito nas nervaduras do vento e na cadencia dos mares.
Sinuosas brisas coma unha pregaria entre as insolubles cúpulas da alba.
Unha ruta trazada sobre a plataforma prodixiosa da historia.
Un lugar intenso que de lapa en lapa arde
sobre o cumio do enigma para que renaza en ti
o sopro da estruga e o espiño
e no teu corpo a memoria do barro
xerminado da terra.
Pero foi necesario devastar a túa pel,
o roce insomne deste mundo,
penetrar o berro dos paxaros no eco dos mares
onde tan verde como o xade son as algas.

Tenaz, o murmurio da choiva era branco na alborada.
Traducido por rosanegra

domingo, janeiro 31, 2010

ENCONTROS NO 7º ANDAR

O poema do vídeo: "A Rosalía" de M. Curros Enríquez. Música: Servando e Contradança. Vídeo: Cruz Martínez.

Nesta ocasión, contamos con Carmeliña, José Antonio, Luís e coa música do grupo: Touporroutou ( Maica, Gonzalo e Servando).

O noso agradecemento a todos eles. ( Alfonso Láuzara, rosanegra e Cruz Martínez)

segunda-feira, janeiro 25, 2010

sexta-feira, janeiro 22, 2010

O día 21 tremeu Galiza

Santiago acolleu novamente unha manifestación multitudinaria a prol do galego. Esta vez era para protestar polo novo decreto que quere impoñer o Señor Feijóo. Nós estivemos alí!.
Máis imaxes en:
Na foto estamos cos nosos amigos Alonso Fontán e Foni.








terça-feira, janeiro 19, 2010

Road Movie


Road Movie (Alberte Momán. 2009) Un Jim Morrison imaxinario, que acompaña ao protagonista na viaxe iniciática do teatro. A presenza do Jim, causada polos medos provocados pola ruptura co coñecido. A separación da familia, contraria á elección escollida polo protagonista, o afastamento do que comunmente é recoñecido como dentro da normalidade, sempre indefinida e ambigua.
Unha road movie que transcorre entre escenario e escenario, cun único destino, o enriquecemento e a superación persoal, conseguidas despois da aceptación do eu, como ente dinámico e diverso.


sometimes I feel my skin
ás veces miro por detrás das portas
para buscarme

durante a viaxe
un nunca está seguro
de non terse esquecido noutro lugar
apálpase os membros
impregnándose da esencia do seu propio corpo
confiando en sentirse aínda
como nun principio

Jim quita a roupa
no seu caso non é pouco frecuente
buscando aquelas partes que na súa vida
xogan figurar no pasaporte

as formas son todo ou nada
como un xogo de azar
no que apostamos a perdernos
aló onde a simulación
nos ocupa por completo

recuperando os nosos corpos
ás poucas horas
sorrimos con mímica
procurando unha cor non moi rechamante
para os nosos rostros
e proseguimos tras abrazarnos
cunha pose exclamativa
e un interrogante no rostro